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Meu nome é Reginaldo de Jesus e trabalho na prefeitura de São Bernardo do Campo desde mil, novecentos e noventa e três. Iniciei o serviço público realizando pequenos reparos e manutenções numa escola onde eram atendidas crianças com deficiência mental. Além de cuidar do patrimônio, auxiliava os professores no momento do intervalo, organizando também a entrada e a saída dos alunos. No ano de dois mil e seis, recebi o convite da Elizabeti, que gerenciava a ASIITE (Associação Santo Inácio para a Integração do Trabalhador Especial), para atuar como educador em um projeto de inclusão digital: este projeto, implantado pelo CDI, estava sendo desenvolvido naquela entidade onde ela atuava como coordenadora. Inicialmente hesitei, pois era algo novo e mesmo tendo algum conhecimento em informática, não me achava capaz de ensinar. Pela insistência da Elizabeti e tendo ela me informado que eu passaria por uma formação onde receberia orientações diretamente do CDI, acabei cedendo a este desafio. Mesmo sendo funcionário público, passei a prestar serviço na associação, pelo fato de a prefeitura municipal ter uma parceria com a entidade. Não imaginava o que era isto, “Inclusão Digital”. – “Talvez ensinar informática às pessoas que ainda não tiveram oportunidade de aprender....”. Pra mim foi uma surpresa! Era muito além do que eu imaginava. Em dois mil e seis, quando comecei a formação ministrada pela Fátima (CDI), meus olhos começaram a se abrir para um novo mundo, o das possibilidades. Foi então que tomei conhecimento das novas tecnologias da informação; percebi que a inclusão digital é muito mais do que um curso de informática ou do que usar um computador aleatoriamente: é dar ferramentas ao indivíduo para que ele possa ser um protagonista da sua própria história por meio de ações em sua comunidade, exercendo assim sua cidadania e promovendo a inclusão social, colaborando para transformações significativas para o bem comum. A parte teórica foi muito boa e marcante na minha vida, mas muito ainda estava por vir, pois tudo isto que vivenciei na formação seria colocado em prática quando começasse a atuar, o que aconteceu no ano de dois mil e sete, a partir do início de novas turmas na então EIC Batistini, hoje CDI comunidade Batistini. Como não moro na comunidade onde a “EIC” está inserida, os momentos de ir à campo - com o intuito de trabalhar com os próprios moradores situações vividas por eles e que poderiam ser mudadas – o adentrar uma comunidade e conhecê-la a fundo foi desafiador, mas engrandecedor também, pois tive grandes experiências conhecendo moradores desta comunidade, como por exemplo o Sr. Pedro, líder comunitário, que se empolgou de tal maneira com o projeto de inclusão digital que fez questão de participar da primeira turma do curso de “Informática e Cidadania”; turma esta que, a meu ver, foi muito especial pelo fato de poder ter unido um grupo de moradores que a faixa etária englobava pessoas de quarenta e nove anos a sessenta e dois anos, um grupo diferenciado pela experiência de cada um e pela visão de mundo e objetividade em aprender. Depois de um “mergulho” na comunidade, este grupo trouxe aos encontros todas as questões problematizadoras que observaram e, através de discussões, chegaram a decisão de elaborar um jornal a título de denunciar à comunidade questões como acúmulo de lixo, falta de pavimentação e falta de lazer, mas também mostrar a comunidade as possibilidades de transformações por meio da seleção do lixo, do aproveitamento dos espaços já existentes para lazer e buscar nas autoridades responsáveis as melhorias necessários para a comunidade. Tive também experiências com grupos de jovens: conheci pessoas interessadas, bem como pessoas sem muito interesse, que buscavam apenas um cursinho de informática ou por que os pais decidiam que deveriam estar ali no curso para não ficarem ociosos nas ruas. Mas tudo tem me dado uma bagagem muito grande de conhecimento: nestes três anos tenho crescido, ainda mais que agora posso contar com o conhecimento técnico, uma super vontade de fazer algo diferente e a “cabeça” jovem da Daiana que é a nova educadora, eu estarei a apoiando mas, já deu pra perceber que ela tem talento e com certeza vai realizar um ótimo trabalho com a comunidade. Este ano de dois mil e dez promete...

Reginaldo de Jesus (Coordenador do CDI Comunidade Batistini)

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