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CDI RJ - Das grades para a cidadania: a esperança nas teclas de um computador

CDI RJ – EIC de Santa Cruz

Nascido e criado no Complexo do Alemão, uma das comunidades mais violentas do Rio, Wanderson da Silva Skrock teve sua vida transformada pela inclusão digital quando, dentro do CRIAM Santa Cruz – instituição para jovens em conflito com a lei – matriculou-se na Escola de Informática e Cidadania (EIC) do CDI. Aos 17 anos e já com duas passagens por instituições judiciais – ambas por envolvimento com o tráfico de drogas – Wanderson viu a esperança de um futuro fora do crime na tela de um micro. Após ser capacitado pelo CDI, passou a ser educador da EIC do próprio CRIAM e, hoje, atua também em mais outra escola do CDI.

“Ser a esperança de tantos jovens, servir de exemplo para quem precisa se reintegrar à sociedade, é maravilhoso, além de uma grande responsabilidade que dá mais sentido à minha vida”, diz Wanderson, compartilhando sua experiência. “No dia-a-dia, sinto que muitos vêm ao curso porque sabem que é possível ter uma segunda chance e sobreviver de forma honesta. Eu sou a prova disso. Em apenas dois anos, minha vida deu um giro completo. Deixei o crime para dar aula de informática a três turmas e tenho muito orgulho do que faço”, conta ele, que também retomou os estudos. Está concluindo o Ensino Médio e quer fazer faculdade. Só não se decidiu ainda se quer cursar Cinema ou Informática.

Dos tempos passados, Wanderson fala sem constrangimentos das duas passagens pelo Instituto Padre Severino e pelos CRIAMs de Santa Cruz e de Nova Iguaçu. “Fui preso pela primeira vez aos 16 anos. Saí após alguns meses e retornei menos de um ano depois, quando já tinha 17. Não são somente os detentos negros que sofrem discriminação. Por ser louro e ter olhos claros, era visto como um garoto de família rica, embora enfrentasse a mesma dura realidade dos demais. Assim, passei a viver o inferno, tanto com os colegas quanto com os carcereiros, e não via outra saída para mim a não ser a rotina do tráfico. Mas isso foi até conhecer o poder da tecnologia. Quando me inscrevi na EIC, não esperava que um novo mundo se abrisse para mim, tive até muita resistência. No entanto, conforme ganhava conhecimento, descobri que tinha ali uma oportunidade a ser aproveitada”, lembra Wanderson.

Ele pretende continuar seu trabalho na Rede CDI e, ainda, ajudar no combate à discriminação contra jovens que passaram pela detenção. “Tudo é uma questão de chance. Na EIC de Santa Cruz, temos a adesão de 80% dos jovens, o que mostra que a grande maioria tem vontade de progredir e arranjar um emprego quando sair. E a informática é um bom caminho”, destaca ele, lembrando do caso de Ronaldo Monteiro, outro ex-aluno de uma escola do CDI em presídio (Lemos Brito) que virou educador e, depois, empreendedor. Com apoio da Petrobras, Ronaldo criou a primeira Incubadora de Empreendimentos para Egressos do Sistema Penal (IEE), que representa uma alternativa concreta à dificuldade de contratação no mercado formal.

“O trabalho do Ronaldo é muito importante e necessário e sempre me inspirou. É preciso atuar com firmeza para mudar a cabeça das pessoas e mostrar que ex-presidiários, jovens ou adultos, não são bichos que merecem morrer, mas sim pessoas que erraram, pagaram por isso e precisam de uma nova oportunidade”, conclui Wanderson.

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